Quando as dívidas se acumulam — cartões de crédito, créditos pessoais, créditos automóvel — muitos proprietários consideram a consolidação de créditos com garantia hipotecária: juntar todas as dívidas num único empréstimo, com a casa como garantia, para obter uma taxa de juro mais baixa e uma prestação mensal mais reduzida.
A lógica financeira faz sentido à primeira vista: o crédito habitação tem, historicamente, as taxas de juro mais baixas do mercado de crédito a particulares, precisamente porque é garantido por um bem imóvel. Ao consolidar dívidas mais caras — como créditos pessoais, com taxas que podem ultrapassar os dois dígitos — numa única prestação com garantia da casa, o custo total do crédito pode, de facto, diminuir.
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No entanto, esta operação tem um risco que não deve ser ignorado: ao transformar dívidas sem garantia em dívida garantida pela casa, o incumprimento passa a colocar o imóvel diretamente em risco de execução hipotecária, o que não acontece com a generalidade dos créditos pessoais ou de cartões de crédito. Além disso, alongar o prazo de pagamento de dívidas de consumo por 20 ou 30 anos — o prazo típico de um crédito habitação — pode significar pagar, no total, mais juros do que manter as dívidas nos seus prazos originais, mais curtos.
Antes de avançar com uma consolidação com garantia hipotecária, faça sempre as contas ao custo total do crédito ao longo do tempo, não apenas à prestação mensal, e considere alternativas como a renegociação direta das dívidas existentes junto das respetivas instituições.
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